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Dicas para uma locução profissional no Dia Mundial do Rádio

Hoje, 13 de fevereiro, é o Dia Mundial do Rádio e, para quem atua com voz e comunicação humana, como nós da Univoz, não poderíamos deixar de prestar nossa homenagem para esse veículo que penetra em nossas casas, nos acompanha em nosso carro, dissemina informação e entretenimento com alta penetração. O rádio foi inaugurado no Brasil em 7 de setembro de 1922 durante a inauguração da Exposição do Centenário da Independência na Esplanada do Castelo e teve sua primeira emissora de rádio inaugurada em 1923 por Roquette Pinto, a  Rádio Sociedade. Por trás das ondas sonoras transmitidas, o rádio dá espaço para um grande profissional nos bastidores dos estúdios: o locutor radialista, com seus diferentes estilos de interpretação, é capaz de dar vida para textos informativos, humorísticos, esportivos, jornalísticos e comerciais. Washington Olivetto, Chairman da WmcCann, em vídeo entrevista para o Clube da Voz refere-se aos locutores como “administradores da alegria” ressaltando a importância que uma voz tem para a publicidade.

O rádio mexe com nossa imaginação, vai além das imagens prontas que a televisão ou a internet nos impõe. Você já percebeu como ao ouvir o rádio, uma imagem completa se forma em sua mente? Você é capaz de imaginar o ambiente do estúdio, a personalidade do locutor e é capaz até de imaginar sua aparência e emoção. Por meio da voz também temos a ampla noção da leveza da informação pelas tonalidades suaves que um programa voltado para qualidade de vida imprime nas explicações de uma receita ovo-lacto-vegetariana. Mas essa mesma voz é capaz de transmitir a seriedade do atentado ao jornal Charlie Hebdo em janeiro de 2015.

Os radialistas têm vários papéis comunicativos e sua competência e profissionalismo se expressam pela flexibilidade vocal emprestada para cada estilo de locução. A velocidade de fala elevada caracteriza a locução esportiva, diferente de uma locução comercial que exige do locutor ampla flexibilidade para transmitir a mensagem subjacente ao produto ou serviço que se quer vender. Recebemos sempre contatos nos perguntando “Tenho chance de ser locutor de Rádio?” ou “Para ser um bom profissional é necessário dom ou técnica?”. Por que deveria ser um ou outro? Ambos coexistem e não se anulam. Você pode não ter nascido privilegiado na voz e fala, mas com treino e aprendizado de técnicas pode chegar lá. Alguém somente com dom, se não praticar e, não acompanhar a evolução da comunicabilidade da rádio ficará defasado em seu tempo. Então, para que o rádio continue nos encantando, o locutor precisa:

DOM, que pode ser entendido como:

  • Uma excelente habilidade de escuta para ser seu próprio feedback, percebendo se a voz está adequada para a situação de fala;
  • Ter voz naturalmente agradável de ser ouvida;
  • Uma anatomia, por vezes privilegiada, que oferece flexibilidade muscular para experimentar diferentes inflexões vocais;
  • Uma habilidade na fluência verbal e precisão articulatória para a mensagem ser sempre bem compreendida.

EXPERIÊNCIA também ajuda:

  • Acompanhar a evolução do rádio, imprimindo o que se pede hoje: mais comunicabilidade e menos impostação, mais conversação e menos oratória. Ou seja, uma voz próxima do natural é desejada para a maioria das locuções do rádio. Não se aceita mais a artificialidade das vozes extremamente guturais, monotônicas ou com extremos de modulações. Os pesquisadores Warhurst, Mccabe, e Madill publicaram um estudo[1] em 2013 ressaltando que, para ser bem sucedido no rádio, os locutores atuais precisam ter uma ampla variedade de habilidades de comunicação.
  • Saber adequar a voz aos diferentes perfis de estação de Rádio, ao conteúdo que será locucionado e ao público ouvinte deste “dial”.

TÉCNICA OU TREINO para ajustes importantes:

  • Por ser um profissional da voz e depender dela para atuar, vale conhecer técnicas de aquecimentos e desaquecimento, que protegem a voz de uma possível disfonia;
  • Existem exercícios que adequam a voz ao estilo. O locutor pode mudar de rádio ou de programa e nesta nova oportunidade, alguns ajustes interpretativos podem ser necessários. Fazendo com cuidado e técnica, ficará natural e não sobrecarregará as pregas vocais.
  • Lembrar que a locução nem sempre está vinculada a um texto puramente lido. Então, exige do locutor radialista amplo vocabulário e flexibilidade linguística, construídos com uma cultura diversificada para entrevistas ou comentários.

A voz, a técnica, o treino e a experiência, além de muita dedicação, respeito aos ouvintes e compromisso com a comunicação e informação são os pontos essenciais para ser um excelente profissional do rádio e continuar nos encantando. Esse conjunto faz do locutor um profissional a ser admirado e, no Dia Mundial do Rádio, nós o homenageamos.

[1]  Warhurst S, McCabe P, Madill C. What Makes a Good Voice for Radio:

Perceptions of Radio Employers and Educators. J Voice. 2013, 27(2): 217-24.

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Ouça também a entrevista da fonoaudióloga Ana Elisa Moreira Ferreira, diretora da Univoz, na Rádio Bandeirantes, falando sobre o tema no link: http://migre.me/oAspU

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